domingo, 4 de janeiro de 2015


RUBRA ROSA



RUBRA ROSA


Rubra rosa que do alto tombastes,
Docemente. mil pétalas d´estrelas!…
Brotadas de límpidos Céus em hastes,
Pra jubilar ternos olhos ao vê-las...

Finas no sentir exalando o Ser!...
Reino de pulcros castelos em flor… 
Vivas divas nas esguias mãos do Crer…
Desabrochadas por jardins d´Amor!

Quão belas! Sublimes de fidalguia!…
Dobram os sinos em doce sintonia...
Dos cumes das igrejas em demora;

Hino ao vento que cobre o coração!...
No manto claro da bela canção,
A trova tocando... a alma que mora!…

Helena M. Martins 
Direitos autorais reservados 
Imagem da Net



VASTA PENUMBRA...




VASTA PENUMBRA...




Ó vasta penumbra em noite escura!...
Sombra que cerra os olhos à lua calma,
Vivente de indelével amargura
Que escurece os caminhos de Minh´ alma!...

Descalçai as sombras cheias ao luar...
E devolvei o brilho ao mundo poeta 
Que triste canta o infindo amar...
Num virgem mar de dor inquieta!

Vesti meu corpo de veste de rainha
Pra pedir vosso mirar à dita minha
Que há muito este meu cerne tece...

Já que reza em mim este fadário,
Levarei comigo da cruz o calvário...
Este altar erigido de amor e prece!...







PÉROLAS DERRAMADAS...



PÉROLAS DERRAMADAS...



Pérolas iluminam-me o rosto nesta solicitude
Que me invade o peito em abraço desmedido;
 Torrentes do mar de amar o ser contido,
Fluindo em ondas de afeto, meu algar de virtude!...

Mar que despejara todo o sal em mim
Em levas de pérolas de coral derramadas;
Das conchas,  esbeltos rosários jasmim
Soltam-se às vagas de flores tocadas!...







LÁBIOS CARMIM...




LÁBIOS CARMIM...

Minha 
boca
veste-se 
de seda 
púrpura 
ao beijar
a tua,
solta 
nos teus 
lábios 
carmim…
Nossas
almas 
derramam-se
no mar 
salgado, 
eterno
e vivo
dentro 
de mim…




SOMBRAS REFLEXAS...





O meu olhar, ao espelho, vislumbra sombras em sois – de abril. Abre as portas a hortos, perfumados de aljôfar e queda-se em pérfidos silêncios – os  que derramam a alma … 

Vidas passadas adejam de júbilo por jardins - petrificados: pedaços, vivos, de efémeras histórias. Em cada reflexo do olhar, suaves brisas perfumam indelevelmente, minhas lembranças; em cada poro: uma flor, desabrochada de orvalhos. Pérolas deslizam, em caudal de afetos, pelos rios do meu corpo.

Agora, debruçada sobre uma lápide de memória, viro as folhas sequiosas e ressuscitadas palavras, abertas como pétalas de rosas, beijam-me, mui suavemente, apesar de seus espinhos...









ROSTO DE MARFIM…


Num pulcro jardim de rútilas rosas,
Sobre o tálamo de perfumes raros,
Inspiro! entre belas ditas, formosas...
Entes de olhar puro de sedas e aros…

Céus de mil primaveras sibilantes
Tombando. ternas, as brisas dementes!...
Brados de merengues e ais amantes…
Loucas bocas! ainda insanas... crentes!

Rubor vivo veste inteira a Minh ´alma,
Cerda tecida da mais fina calma, 
Cabelos presos a um laço de cetim…

Nas mãos, o veludo de doce cambraia;
Sentido justo cinge o peito, a saia 
Que adelgaça meu rosto de marfim.




LIVRO  [VIDA]



Vida espargida,
Sentindo profundo...
Pedaço de céu,
Bálsamo de alma...
Páginas que sangram,
Dilaceram-me punhais...
Alastro o que sou...
Rio calmo,
Em mar de afeto;
Afagos de dor;
Cinzas ardem...
Meu registo.
Hoje sou …
Palavra lacerada
D´Amor.


POR ONDE CAMINHAIS, Ó GENTIL ALMA?                     Escuta a música enquanto lês o poema:                                                ...